The Caminito del Rey, em Málaga, Espanha, já foi considerado o percurso mais perigoso do mundo. Atualmente, é um incrível percurso de 6,56km ou 7,7km linear, que nos conduz por desfiladeiros e paisagens de cortar a respiração.
Desta distância, apenas 2,9km são verdadeiramente no Caminito del Rey, onde é obrigatório o uso de capacete. Os restantes correspondem ao acesso ao passadiço (1,76km ou 2,7km, dependendo do acesso) e o caminho até ao fim (2,1km), sendo que estes quilómetros iniciais e finais são feitos em estradas florestais. Pelo caminho fomos encontrando alguns animais, com destaque para as aves de rapina e as cabras-montesas.
Apesar dos passadiços que agora conduzem o caminheiro o deixarem longe do título de “percurso mais perigoso do mundo”, o Caminito del Rey não é para quem tem medo de alturas. Seguindo pelo Desfiladero de los Gaitanes, há momentos em que nos encontramos a uns impressionantes 100m de altura.

Comprar o bilhete, como chegar e onde estacionar
O mais importante para fazer o Caminito del Rey é o planeamento da visita. Isto porque os bilhetes individuais (“entradas general”) disponibilizados são poucos e, consequentemente, esgotam muitas vezes com dois ou três meses de antecedência. Este foi exatamente o nosso caso e tivemos de optar pela visita guiada, que tem um preço superior.
Ao chegarmos ao local de verificação do bilhete, deram-nos a opção de seguirmos sozinhos, como se tivéssemos adquirido o bilhete individual. No entanto, como pagámos mais pela visita guiada, decidimos ter essa experiência.
The visiting tickets são comprados diretamente no site do Caminito del Rey e têm o custo de 10€ para entradas individuais e 18€ para as visitas guiadas + 1.5€ por bilhete para custos de gestão (em 2026). O acesso ao Caminito é proibido para menores de 8 anos.
Devem comprar os bilhetes no site e, no checkout, inserir os dados de cada uma das pessoas que vai realizar o percurso. Para poderem realizar a compra, terão de se registar no portal.
Ao comprarem o bilhete, podem já adquirir o bilhete de estacionamento para o Parking del Centro de Recepción de Visitantes. Este tem o custo de 2€ / dia (em 2026) e fica associado a um dos bilhetes adquiridos. Podem optar por pagar o estacionamento no local, mas correm o risco de não terem lugares.
Existem outros lugares de estacionamento pelo caminho, como o estacionamento ao pé do restaurante Restaurante El Mirador Ardales, que é também pago.
No momento da compra, recomendamos também que comprem já o bilhete para o autocarro que vos leva ao início do caminho e vos traz de novo ao estacionamento, o Bus Lanzadera. Este tem o custo de 2,50€ / pessoa (em 2026) e inclui quantas viagens quiserem em ambas as direções. Se o comprarem no autocarro, tenham em atenção que o motorista só aceita dinheiro. A viagem demora cerca de 10 minutos.
Assim sendo, ao orçamentar a vossa visita a este trilho, devem ter então em atenção as seguintes despesas (custos de 2026):
- Bilhete de entrada: 10€ (individual, esgota rápido) ou 18€ (visita guiada) + 1,50€ de custos administrativos
- Bilhete do autocarro: 2,50€ / pessoa
- Bilhete do estacionamento: 2€ / por carro
É possível comprarem no local o bilhete do estacionamento e o bilhete do autocarro, mas não tentem comprar presencialmente o bilhete do Caminito, uma vez que estão normalmente esgotados.
Tenham também em atenção que a entrada no Caminito del Rey é sempre feita pela entrada norte. Apesar da entrada sul aparecer marcada no Google Maps, serve apenas como saída.
Pode ainda acontecer o trilho ser encerrado por questões meteorológicas. Nesse caso, terão de trocar o bilhete por outro dia.


Recomendações para o trilho
Apesar de não ser de grande dificuldade, o Caminito del Rey não deixa de ser um trilho e, consequentemente, requer alguns cuidados.
Primeiramente, devem levar calçado adequado à caminhada. O uso de calçado como salto alto ou chinelos é mesmo proibido no trilho e, no acesso, podem ser proibidos de continuar.
Também como em qualquer caminhada deste género, devem abastecer-se com água e comida. Poderão comprar ambos apenas no final do percurso, pelo que devem ter com vocês.
Apesar de existir alguma sombra graças à rocha, uma grande parte do caminho é feita sobre o sol. Em algumas alturas do dia e do ano, o efeito do calor pode ser acentuado pela própria pedra, pelo que recomendamos chapéu e protetor solar. Também por causa disto, se poderem evitar alturas do ano de maior calor e as horas mais quentes, melhor. Neste sentido, o próprio Caminito del Rey tem horários que variam consoante a altura do ano.
É ainda proibido o uso de bastões no caminho. Além desta proibição, não podem entrar outros objetos como selfie sticks, guarda-chuvas (se tiver a chover têm de usar uma capa de chuva) ou mochilas grandes. Quando compram um bilhete, receberão uma lista com as regras e todas as proibições em vigor – recomendamos que as leiam atentamente.
Regarding the horário, é recomendado que estejam no estacionamento uma hora antes da hora do vosso bilhete e que estejam no Centro de Receção ao Visitante meia hora antes. Se chegarem mais cedo (como nós), seguirão com o grupo disponível àquela hora. No entanto, se chegarem mais tarde do que a hora do bilhete, podem ser proibidos de entrar.


História do Caminito del Rey
A construção do caminho original iniciou-se em 1901 e foi concluída quatro anos depois. O objetivo era existir um caminho que permitisse atravessar o Desfiladeiro de los Gaitanes, facilitando o transporte de pessoas e produtos entre as hidroelétricas de ambos os lados.
O caminho tem cerca de 3km de comprimento e cerca de 1 metro de largura. Como mencionado anteriormente, há momentos em que o percurso atinge uma altura de 100 metros acima do rio Guadalhorce.
Para inaugurar este projeto, o rei espanhol Afonso XIII viajou até ao trilho e caminhou-o, dando nome ao percurso: o Caminho do Rei. A ponte que ele atravessou, vindo diretamente do comboio, ainda hoje pode ser vista no percurso, sendo um dos pontos destacados na visita guiada. Um facto engraçado dito pela nossa guia é que, desde a inauguração do caminho, nenhum rei voltou a fazer o percurso (pelo menos até à nossa visita, em 2026).
O abandono do percurso levou a que fosse se deteriorando. Ao percorrermos os passadiços há momentos que conseguimos ver o percurso original e é arrepiante os caminhos que eles percorriam (quer pela pequena largura, quer pela falta de segurança). O perigo do local tornou-se conhecido e as pessoas passaram a fazê-lo pela aventura, sendo também utilizada como zona de escalada e de rappel. Daqui resultaram acidentes mortais que levaram ao encerramento do percurso.
Recomendamos que vejam um vídeo de alguém a percorrer o Caminito del Rey antes das obras para perceberem o estado do caminho original e o perigo que significava:
As constantes violações à proibição de circular no Caminito del Rey, e os vários acidentes mortais, levaram a Câmara Municipal de Málaga a investir no seu restauro. Deu-se assim as obras que tornaram o caminho no que hoje conhecemos e, em 2015, o trilho foi reaberto.
Fazer o Caminito del Rey
Parte 1: do Estacionamento ao Centro de Receção ao Visitante
Se apanharem o autocarro a partir do estacionamento oficial, ele irá parar um pouco antes do Restaurante El Kiosko.
Aqui, o motorista do autocarro indicou-nos que devíamos seguir ao comprido com a estrada. Existem, no entanto, dois acessos:
Acesso Alternativo (“Senda de Gaitanejo”): Seguindo pelo Túnel Grande junto ao restaurante. Este conduz a um caminho de terra batida que acompanha o rio. São cerca de 2,7km até ao local onde apresentamos o bilhete e entramos no Caminito.
Acesso Principal (“Tunel peatonal y pista de Gaitanejo”): Seguindo pela estrada cerca de 250m e depois entrando no Túnel Peatonal, que surge à direita. No total, são cerca de 1,76km desde o restaurante até ao acesso ao Caminito.
Seguindo as indicações do nosso motorista, virámos à direita pelo acesso principal e seguimos pela estrada de onde o autocarro tinha vindo. Seguindo o alcatrão, é fácil de identificar o túnel de acesso ao percurso.
No final do túnel, vão chegar a um caminho de terra batida, com o rio a acompanhar-vos pela esquerda. Caminhando mais alguns metros, surge um novo túnel que, após passarem, devem olhar para trás e apreciar: é o Tunel de los Tafonis. Olhem também para a vossa esquerda, do outro lado do rio, para verem a formação rochosa conhecida como Tafoni, também conhecida como Arco Gótico.
The Centro de Receção ao Visitante surge logo de seguida. Do local onde o autocarro nos deixa até este centro são cerca de 1,76km.
É aqui que vão mostrar os bilhetes, ser divididos em grupos e receber o material obrigatório. Para quem fizer a visita normal, recebe apenas uma touca e um capacete. Para quem faz a visita guiada, recebe ainda um pequeno rádio para pendurar ao pescoço e uns fones, que nos são oferecidos. Ainda aqui são dadas as instruções de segurança e é hora de iniciar o percurso.


Parte 2: O Caminito del Rey
Com o capacete colocado, iniciamos caminho pelo Caminito del Rey. Esta é a parte do percurso mais impressionante, no coração do Desfiladero de los Gaitanes.
Passamos primeiramente pela Central Eléctrica del Gaitanejo e, do outro lado, uma represa de água. Esta barragem é a Presa de Gaitanejo, com uma capacidade de 4.600m3 e uma altura de 20 metros. Construída entre 1924 e 1927, é atualmente utilizada apenas para o armazenamento de água.
Cerca de 200m após a barragem, iniciam-se os passadiços. Nesta primeira parte, apesar de já estarmos a alguma altura, ainda não se sente muito, também pela proximidade da rocha do outro lado do rio (que em alguns momentos tem menos de 10m entre as laterais).
Seguindo pelos passadiços, terão de descer umas escadas a atravessar um curto túnel, praticamente ao nível da água dentro do sistema de túneis.
A saída deste túnel, também ela por escadas, marca a saída do desfiladeiro El Soto e a entrada no Tajo de las Palomas. É aqui que a linha do comboio irá surgir à vossa esquerda pela primeira vez, paisagem que acompanha o resto do trilho. Seguimos sempre pelos passadiços, que depois se tornam num caminho em cimento. Nesta parte, olhem para trás para apreciar o túnel do comboio, que encaixa de forma impressionante na paisagem.


Ao regressarem novamente aos passadiços, irá surgir a Ponte do Rei. Esta deve o seu nome à visita do rei Espanhol Afonso XIII, que atravessou esta ponte em 1921 aquando da inauguração do Caminito. A ponte tinha como objetivo ligar a linha de comboio ao caminho e, claro, permitir a chegada de bens. Atualmente esta ponte está fechada. Os passadiços seguem-se por mais uns 200 metros, até entrarmos novamente num caminho de terra batida.
Ainda durante esta parte passamos pelas ruínas da Casa Los Lima (ou Casa del Hoyo). Nesta casa vivia uma família, ligada à hidroelétrica, e que vivia da agricultura e da pecuária. Segundo nos foi dito pela guia, a família que aqui vivia tinha 13 filhos que faziam o caminito a pé (em direção à saída sul) para irem à escola, onde agora existe uma capela.
Atrás das ruínas encontram o Heliporto, que nos faz questionar como conseguiram trazer o material necessário para a sua construção para um ponto tão remoto.


No final do caminho de terra batida, o caminho segue pelo meio de duas altas paredes e, à vossa direita, a entrada de um túnel que está tapada. Esta zona é um refúgio de morcegos, destinado principalmente à época da hibernação.
Entramos novamente nos passadiços e subimos umas escadas. Junto a estas escadas existe um túnel que é utilizado para fazer o Caminito del Rey em dias de mau tempo.
Estas escadas conduzem a um dos pontos altos da visita: os passadiços a mais de 100 metros de altura do rio. Vão olhando para baixo do passadiço e tentem identificar o caminho original que acompanha o novo.
Nesta parte dos passadiços existe uma pequena plataforma em vidro onde podemos olhar para baixo e sentir verdadeiramente a altura a que nos encontramos. Tenham em atenção que existe um limite de quatro pessoas em cima do vidro.
Caminhando um pouco mais sobre os passadiços, surge uma curva à direita. Estejam atentos à parede uma vez que se encontra aqui um fóssil de amonite.
O lado do desfiladeiro onde estamos vai se aproximando do lado oposto, naquilo que se chama de Garganta del Chorro. E num piscar de olhos, subimos uns degraus e chegamos a uma das partes mais famosas do Caminito: a ponte suspensa que atravessa o desfiladeiro. Esta ponte tem 35 metros de comprimento e encontra-se a 105 metros de altura. Sendo uma ponte suspensa, sente-se bastante o movimento da ponte, o que dá uma sensação de adrenalina. À esquerda da ponte existe um antigo túnel, sendo que os aventureiros que faziam este trilho no seu estado antigo passavam por cima desse tubo.



Daqui seguem-se os degraus finais que nos levam até à saída do trilho. No entanto, o Caminito del Rey foi agora complementado por uma segunda ponte suspensa ainda mais impressionante, mesmo na zona final do percurso. Em vez de subirem a totalidade dos degraus finais, podem agora percorrer a ponte suspensa com 110 metros de comprimento, 50 metros de altura e com um peso de 38 toneladas. Se a percorrerem, estão a fazer a ponte suspensa mais longa de Espanha (à data da nossa visita).
Para quem faz a visita guiada, uns metros à frente surge a zona onde entregam os rádios ao guia.


Parte 3: Do Caminito ao Autocarro
Deixamos para trás a parte principal do trilho mas faltam ainda cerca de dois quilómetros. Por um caminho inicialmente de terra batida, olhem para a vossa direita e apreciem a grandiosidade da Puente La Josefona, de 1926, por onde passa o comboio.
De seguida, irão passar pela Capela Virgen de la Medalla Milagrosa. Esta Capela serviu também de escola, sendo onde estudavam os filhos da família Lima. A estrutura foi construída por Rafael Benjumea, engenheiro também do Caminito, para dar educação aos filhos dos técnicos e trabalhadores desta obra e, mais tarde, da estação.
Daqui irá surgir uma zona onde deixam os capacetes e onde podem usar a casa de banho.
Não deixem de olhar para a vossa direita, onde se encontra a Central Hidroeléctrica del Tajo de la Encantada.
Surgem alguns cafés e restaurantes e caminhem sempre a subir até à estação de comboios El Chorro-Caminito del Rey. Se tiverem de esperar por um autocarro, aproveitem e leiam os painéis informativos sobre a história do Caminito.
Tenham em atenção que a viagem deste ponto até ao início do percurso é mais longa do que a inicial. São cerca de 7km e 15-20 minutos de curvas e contracurvas, pelo que tentem ir sentados no autocarro.
O autocarro deixa-vos exatamente no ponto inicial, junto ao Centro de Acolhimento de Visitantes, onde o carro está estacionado.
No total, o Caminito del Rey ocupou cerca de 2h30, desde a saída do autocarro junto do restaurante e até à estação de comboios El Chorro-Caminito del Rey. Acreditamos que as imagens falam por si e demonstram a beleza deste incrível trilho. Mas, caso ainda existam dúvidas: o Caminito del Rey vale completamente a pena!




