Ilha de Santiago, Cabo Verde: Visitar a Ilha

Visitar a Ilha de Santiago, em Cabo Verde, é também conhecer a sua maior e mais populosa ilha. Ao mesmo tempo, é um excelente postal de entrada no país, uma vez que permite entrar na cultura cabo-verdiana e perceber o verdadeiro significado de morabeza, a palavra deles para amabilidade.

Apesar de ter menos de 1.000km2, a Ilha de Santiago tem muito a conhecer.

Kebra Kanela_Ilha de Santiago

Em baixo apresentamos um mapa com os pontos principais a considerar num roteiro pela bela Ilha de Santiago:

A Cidade da Praia: Conhecer a Capital da Ilha de Santiago

A Cidade da Praia, capital de Cabo Verde e principal cidade da bela Ilha de Santiago, é o ponto principal de uma visita à ilha. 

Entre os pontos essenciais estão o famoso Plateau, a zona principal da cidade. É neste local que vão encontrar diversos cafés e restaurantes. Aqui devem caminhar pela Rua 5 de Julho, até à Praça Alexandre Albuquerque. Neste parque, vão encontrar a Igreja de Nossa Senhora da Graça, o Palácio da Justiça e a Câmara Municipal da Praia. Caminhando um pouco mais vão encontrar o belíssimo Palácio Presidencial e o Quartel Jaime Mota

Daqui, junto à estátua de Diogo Gomes, vão ter vista sobre a Praia de Gamboa. Se descerem pela estrada principal encontram a instalação artística da Rampa dos Poetas

Ainda na Cidade da Praia, não deixem de visitar a famosa praia de Kebra Kanela / Quebra Canela. Aproveitem ainda e façam uma caminhada até ao Miradouro da Cruz do Papa.

A menos de um quilómetro, encontram a Praia da Prainha. Caminhem até ao lindo Farol de D. Maria Pia e conheçam o seu simpático faroleiro. 

Por último na bela capital de Cabo Verde, visitem o autêntico Mercado de Sucupira. Além de ser um bom sítio para fazer compras, é aqui que apanham as famosas Hiace (devido às Toyota Hiace) que vos levam para todos os cantos da ilha a um preço muito acessível.

Apesar destes pontos estarem afastados entre si, a Cidade da Praia é muito amiga do caminhante. Do Plateau a Quebra Canela (o ponto mais afastado da zona central), são cerca de 2.5km a pé, sempre com uma bela vista da praia. Já um táxi custa 2,5€ a 3€, também muito em conta.

Cidade Velha de Santiago

A Cidade Velha de Santiago, ou simplesmente Cidade Velha, é um dos locais com mais história da Ilha de Santiago. A apenas 13km da ilha da Cidade da Praia, a Cidade Velha foi a primeira capital do país, sendo na altura denominada de Ribeira Grande.

O primeiro sítio a conhecerem é o Centro Histórico da Ribeira Grande, o coração da Cidade Velha. Aqui vão encontrar várias recordações e artesanato, o que podem complementar com uma visita ao Centro Cultural da Cidade Velha. Também aqui vão encontrar o Pelourinho (de 1520), a zona de praia e a maioria dos cafés e restaurantes.

Não deixem de caminhar um bocado para conhecer a famosa Rua Banana, repleta de palmeiras, e, no seu fundo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Esta é a primeira igreja colonial e é também o edifício mais antigo em uso de Cabo Verde. A entrada é gratuita (em 2024).

Caminhando na direção inversa, encontram a Sé Catedral da Cidade Velha, agora em ruínas. O seu estado deve-se a corsários franceses, que destruíram a construção e a roubaram.

Um pouco mais isolado existe ainda o Convento de São Francisco. A entrada tem o custo, em 2024, de 500$ CVE (cerca de 4,50€), sendo que o bilhete dá também para a fortaleza. Na estrada de acesso ao convento vão passar ainda pelas ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição.

Por último, subam o caminho curto mas íngreme em direção à imponente Fortaleza Real de São Filipe. Este é o monumento mais bem conservado da Cidade Velha e fornece uma vista incrível sobre o mar.

A Cidade Velha foi um dos destinos que visitámos através das Hiace, que apanhámos no Mercado de Sucupira. No nosso caso, pagámos o preço maravilhoso de 300$ CVE (em 2024), o equivalente a cerca de 2,72€. A Hiace deixa-vos no coração da Cidade Velha, no Centro Histórico da Ribeira Grande, junto à praia. No regresso, apanhámos a Hiace já na descida da fortaleza, o que reduziu o preço para 200$ CVE, cerca de 1,80€.

Tarrafal e o Campo de Concentração

No lado oposto à Cidade da Praia, encontram o Tarrafal. Apesar das suas praias de água clara, esta região da ilha ficou conhecida pela sua prisão política, o Campo de Concentração do Tarrafal, também denominado de Campo da Morte Lenta.

Aqui estiveram presas centenas de presos políticos durante o regime ditatorial português. Apesar da maioria dos presos terem sido portugueses, estiveram aqui também presos membros das (na altura) colónias portuguesas, como cabo-verdianos, angolanos e guineenses.

Atualmente, no antigo campo de concentração, podem visitar o Museu do Campo de Concentração do Tarrafal, ou Museu da Resistência. Apesar de ser uma visita pesada, recomendamos muito que conheçam este local. O Museu funciona todos os dias, das 9h às 17h30 e tem o custo (em 2024) de 200$ ECV, cerca de 1,81€.

Os prisioneiros que aqui viviam experienciaram condições absolutamente desumanas, marcadas pela fome, tortura, trabalho forçado, falta de higiene e cuidados de saúde. A estas condições, somava-se o clima quente e desértico tão característico da Ilha de Santiago.

Durante a visita vão conhecer as pequenas celas onde os presos viviam, as frigideiras, utilizadas como local de tortura, e o posto de socorro, onde o médico tinha apenas o objetivo de assinar certidões de óbito, não curar os presos. Pelo caminho passam pelas áreas comuns, como a cozinha, a sala de leitura e a lavandaria.

No entanto, há mais a conhecer no Tarrafal. Para começar, e como não poderia deixar de ser, a famosa Praia do Tarrafal. É também daqui que saem muitos dos passeios de barco em volta da ilha.

Nesta zona encontram ainda vários restaurantes, uma gelataria e vários alojamentos.

Se tiverem oportunidade, passem ainda pela Igreja de Santo Amaro Abade, uma grandiosa construção com mais de 100 anos e que todos os anos junta muitas pessoas na festa do seu padroeiro.

Interior da Ilha de Santiago

Apesar de ter menos locais a visitar, o interior da Ilha de Santiago tem também alguns pontos a conhecer. Entre eles, destacam-se São Jorge dos Órgãos e a Assomada.

São Jorge dos Órgãos é conhecida pelas suas zonas agrícolas, sendo onde se localiza o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA). E é exatamente perto desse instituto que surge o Jardim Botânico. Visitámos esta região e, apesar de termos gostado, é uma zona simples. Foi nesta zona da ilha que comemos a nossa refeição mais barata de todas: 670$ CVE (cerca de 6,10€) para dois pratos de comida e duas bebidas.

Um pouco a norte, e apesar de ser localizada praticamente no interior da ilha, Assomada é a segunda maior cidade da ilha. Aqui um dos principais pontos de interesse é o Mercado da Assomada, com uma grande variedade de produtos agrícolas. O mercado realiza-se todos os dias, mas é mais forte às quartas e sábados. Este mercado é considerado o maior e mais concorrido da ilha!

Um pouco a norte da Assomada, podem ainda visitar a Serra da Malagueta, conhecida pelas suas caminhadas. Infelizmente não tivemos oportunidade de conhecer estes dois pontos de interesse.

É ainda perto desta zona que podem ver o Pico da Antónia, o ponto mais alto da Ilha de Santiago.

Já no litoral, podem fazer uma visita de barco às Gruta de Águas Belas, na zona da Ribeira da Barca. Apesar de não termos tido oportunidade de fazer esta visita, ouvimos apenas elogios.

Outra atividade que, infelizmente, não conseguimos experienciar foi a desova das tartarugas. Esta ocorre entre junho e novembro, pelo que a nossa visita em abril impediu-nos de a conhecer. O evento ocorre em várias zonas da ilha, sendo recomendado que o façam com pessoas experientes. Tenham em atenção que é proibido tocar nos animais e, obviamente, pisar os ninhos. Se tiverem a sorte de ver a desova das tartarugas, sejam responsáveis!

Como chegar à Ilha de Santiago e Onde Dormir

Podem entrar na Ilha de Santiago de duas formas: barco ou avião. Se chegarem de barco através de outra ilha, irão atracar no Porto da Praia, a menos de 10 minutos de carro do Plateau, o coração da ilha. Paralelamente, se chegarem de avião, seja internacional ou interilhas, irão aterrar no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, também a menos de 10 minutos de carro do Plateau. 

Seja qual for a origem, irão facilmente encontrar um táxi que vos leve para o ponto desejado da ilha. Tenham em atenção que a viagem Aeroporto-Plateau é das que nos foi cobrado mais caro, uma vez que o aeroporto fica mais afastado. A viagem ficou-nos em cerca de 10€ (2.000$ CVE).

Se chegarem vindos do exterior, é obrigatório apresentarem passaporte e fazer o registo de entrada no país, o EASE. Podem fazer o preenchimento dos dados e pagamento da taxa aqui (aqui). Apesar de termos visto pessoas a fazer este registo apenas no aeroporto, é recomendado que o façam com, pelo menos, 5 dias de antecedência. No nosso caso, fizemos o processo online e recebemos a confirmação em minutos. 

Ao chegarem ao aeroporto encontram duas filas de entrada: uma maior para quem tem de preencher o EASE e uma mais curta para quem já o fez. O EASE obriga ao pagamento de uma taxa que foi, no nosso caso 3400$ CVE (em 2024), o equivalente a 30,83€.

Relativamente a dormidas, conseguem facilmente reservar online na zona da ilha que preferirem. Pela nossa experiência, recomendamos reservar na zona mais central da Cidade da Praia, uma vez que há maior disponibilidade de acessos ao resto da ilha. 

Nós ficámos hospedados no Plateau, mas conseguem alojamentos com preços mais simpáticos nos arredores desta avenida. Sentimos também que a Cidade da Praia era bastante segura, sendo apenas necessário ter os cuidados habituais quando estamos num país estrangeiro. 

Onde Comer (e alguns cuidados a ter)

Sendo uma ilha, os principais pratos que vão encontrar são de peixe. Principalmente o atum é um dos pratos mais consumidos.

Encontram, no entanto, outros tipos de comida (como carne de vaca e pratos italianos) em zonas mais turísticas da ilha, nomeadamente no Plateau e nas zonas de praia.

Em zonas menos turísticas, como o interior da ilha, vão encontrar uma menos variedade de comida, mas preços mais acessíveis.

Uma comida que têm mesmo de experimentar é a famosa cachupa, uma espécie de sopa feita à base de milho, feijão e vários legumes. Às vezes é também adicionada carne ou peixe. Consoante o sítio onde provarem o prato, este será diferente do de outro sítio. Outro prato que eles usam bastante (e cozinham que é uma maravilha) são os bifes de atum.

Sendo um país diferente, devemos sempre ter alguns cuidados adicionais. As recomendações que nos foram dadas, e que tentámos seguir, foram as seguintes:

  • Beber sempre água engarrafada
  • Evitar bebidas com gelo, uma vez que é normalmente feito de água da torneira
  • Evitar comer gelados, uma vez que podem ser feitos com água da torneira
  • Evitar a carne, principalmente a de porco
  • Optar por peixe fresco e apanhado na ilha, como o atum

Apesar destas recomendações, chegámos a comer carne e bebemos uma vez uma bebida com gelo (já nos serviram assim) e não tivemos problema. Devemos, no entanto, ter estes cuidados em consideração.

Deslocações dentro da Ilha de Santiago

Como optámos por não alugar carro, tínhamos algum receio relativamente a deslocações. No entanto, esses receios não tinham qualquer fundamento.

Podem, obviamente, alugar um carro para passear na ilha, sendo sem dúvida o mais prático. No entanto, se não vos der jeito ou tiverem receio de conduzir no caos da capital da ilha, não faltam meios de transporte.

O principal é, obviamente, os táxis. Cabo Verde é dos países que visitámos onde vimos um maior número de táxis. Na verdade, é só seguirem na rua e levantarem a mão, que eles param logo e levam-vos a onde desejarem. Na nossa experiência, só em um momento sentimos que nos foi cobrado um valor mais elevado por sermos turistas.

Existem ainda algumas empresas de táxis maiores que aceitam fazer de guias quase particulares. Nós, por exemplo, optámos por esta opção na nossa visita ao Tarrafal. O táxi acompanhou-nos o dia todo, levou-nos aos principais pontos do percurso e esperou por nós em momentos como a visita ao Campo de Concentração do Tarrafal e quando fomos à praia. No regresso veio ainda por um caminho diferente e foi-nos contando um pouco sobre cada sítio. No total pagámos cerca de 90€ (10.000$ CVE), a dividir por todos os que seguiam no táxi. Os taxistas que fazem estas viagens apostam em oferecer a melhor experiência possível, uma vez que conseguem obter aqui praticamente metade do salário mínimo mensal do país, que não chega a 20.000$ CVE.

Os alojamentos indicam também normalmente empresas de táxi que fazem estas viagens mais personalizadas.

Se quiserem visitar apenas diretamente um ponto da ilha e regressarem à Cidade da Praia, as Hiace (das Toyota Hyace) são a vossa melhor opção. Para isso, caminhem até ao Mercado de Sucupira e procurem a carrinha que tem o destino que procuram escrita no para-brisas. Vão ver que os preços são simpáticos e as carrinhas são frequentes.

Escudo de Cabo Verde (CVE): Algumas Dicas

Sendo um país com outra moeda, existem alguns cuidados que têm de ser tidos em conta.

No nosso caso, optámos por não levar dinheiro connosco e trocar no aeroporto. No entanto, perdemos algum dinheiro nas taxas de conversão.

A conversão normal de CVE é de, aproximadamente, 1€ = 110$ CVE. No entanto, há sítios que aceitam receber euros, desde que seja com a conversão de 1€ = 100$ CVE, o que não recomendamos.

Na Ilha de Santiago conseguem levantar dinheiro em diversos sítios. Os locais mais seguros são os balcões do Banco Comercial do Atlântico, como o que fica junto da Praça Alexandre Albuquerque. Existem também alguns multibancos de rua, mas correm sempre um risco maior.

Vão ainda encontrar muitas pessoas na rua a tentar trocar o dinheiro. Não troquem dinheiro com eles – fomos avisados que o dinheiro é, muitas vezes, falso.

O dinheiro que sobrar, podem trocar no Aeroporto de Lisboa, apesar de que com uma taxa um pouco menos favorável.

No nosso caso levantámos logo cerca de 50€ em CVE e fomos levantando à medida que precisávamos. De todos os sítios onde comemos (e comemos todos os almoços e jantares foram), apenas dois sítios não aceitaram cartão e teve de ser pago em dinheiro.

No nosso caso, realizámos ainda uma experiência de voluntariado numa das achadas mais pobres da Ilha de Santiago. Existem vários tipos de projetos na ilha, desde social a ambiental, e com diferentes durações. A nossa recomendação é, se tiverem interesse, procurem associações que realizem lá voluntariado e entrem em contacto com elas, de modo a alinharem o tipo de voluntariado que gostariam de realizar.

A Ilha de Santiago é uma ilha lindíssima e com um povo maravilhoso, mas existe ainda muita pobreza.

O site oficial do turismo na ilha é também uma boa fonte para as informações mais atualizadas sobre a entrada no país e sobre os pontos a visitar. No final, esperamos que a Ilha de Santiago fique no vosso coração como ficou no nosso: a morabeza é real.

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