
O Mosteiro da Batalha, cujo nome verdadeiro é Mosteiro de Santa Maria da Vitória, é um monumento que procura simbolizar a independência de Portugal.
Aquando da famosa Batalha de Aljubarrota entre Portugueses e Castelhanos, o rei D. João I, Mestre de Avis, fez uma promessa: se saísse vencedor, construiria um monumento em honra da Virgem Maria. Finda a guerra em 1385 com a vitória portuguesa, a construção do monumento inicia-se no ano seguinte, estendendo-se por mais de um século, até 1517. Hoje é um belo exemplo da construção do Gótico Português e Europeu, apesar de ter também influências do Manuelino.
É, desde 1983, Património Mundial da UNESCO e, em 2007, torna-se uma das 7 Maravilhas de Portugal. Em 2016 recebeu a designação de Panteão Nacional.
Como chegar, onde estacionar, horários e bilhetes

Localizado na Batalha, no distrito de Leiria, o acesso ao Mosteiro da Batalha é bastante simples. Ao chegarem pela Nacional 1, o Mosteiro vê-se na sua totalidade da estrada. Daqui, é sair em direção à Batalha e estacionar o carro.
Quanto ao parking, existe um estacionamento numa das laterais do Mosteiro. No entanto, e se este estiver cheio, conseguem facilmente encontrar lugar nos arredores. Na Avenida dos Descobrimentos, por exemplo, podem virar praticamente para qualquer rua e encontrarão lugares. Alguns pontos de referência são o Auditório Municipal, com estacionamento na rua em frente e atrás, e o Campo de Futebol da Batalha. Na Rua de Dom Duarte I existe também um grande estacionamento para autocaravanas (onde só é proibido estacionar na segunda-feira durante a manhã).
Tendo o carro estacionado, é hora de fazer os poucos minutos que o separam do imponente monumento. Este está aberto praticamente todos os dias do ano, das 9h às 18h (de outubro a março) e das 9h às 18h30 (de abril a setembro).
The bilhete tem um custo de 15€ / adulto. No entanto, este monumento faz parte do programa Voucher 52, sendo a entrada gratuita para residentes no território nacional. Contudo, tenham em atenção que não podem usufruir deste voucher online, tendo de se dirigir diretamente à bilheteira física e apresentar o cartão de cidadão.
Para quem quiser comprar o bilhete online, pode fazê-lo na bilheteira dos Museus e Monumentos de Portugal, mas aqui será cobrada uma taxa de serviço, que não é aplicável na bilheteira física.
Existem ainda alguns packs de desconto para quem quer visitar também o Convento de Cristo, o Mosteiro de Alcobaça e o Palácio Nacional de Mafra.
Munidos do bilhete, é hora de iniciar a visita pelo incrível Mosteiro de Santa Maria da Vitória.
Visitar o Mosteiro da Batalha
Ao observar o exterior do Mosteiro da Batalha, é fácil de compreender a imensidão do que estamos prestes a observar. Levem sapatilhas confortáveis e preparem-se para ficar impressionados.
Ainda antes de entrarem no mosteiro, encontram a Estátua Equestre de D. Nuno Álvares Pereira, de 1968. Esta é uma estátua em bronze e que, como o nome indica, homenageia D. Nuno Álvares Pereira. Também o largo onde se encontra, o Largo do Condestável, serve de homenagem, uma vez que ele foi Condestável do Reino (também chamado de Condestável de Portugal). Isto é, comandante supremo do exército, e segunda figura militar mais importante do país a seguir ao rei. D. Nuno Álvares Pereira ocupava este cargo aquando da Batalha de Aljubarrota, cuja vitória conduziu à construção do Mosteiro da Batalha.
Caminhando em direção ao Mosteiro, encontram o portal ocidental, a entrada principal da Igreja.
Esta porta, terá sido construída no século XV e está repleta de simbolismo. Nas laterais do portal, a servir de colunas, encontram-se os apóstolos. Olhando mais para cima, para as arquivoltas, encontram-se hierarquicamente representadas diversas figuras, como santas e representantes da igreja católica. No topo da porta, ladeado por anjos e pelos quatro evangelistas, encontra-se a figura de Deus.
No ponto mais alto, os brasões de armas de D. João I e D. Filipa de Lencastre.


Igreja do Mosteiro da Batalha
Ao entrar na Igreja do Mosteiro da Batalha, é impossível não ficar maravilhado com a altura do espaço. É uma grandiosa igreja, com 80 metros de comprimento, 22 metros de largura e uns impressionantes 32 metros de altura na nave central.
A obra demorou cerca de 50 anos a ser concluída, tendo sido dirigida por dois mestres. O primeiro foi Afonso Domingues, português, e que mais marcou o traçado desta igreja. Seguiu-se o mestre Huguet, do qual se desconhece a nacionalidade mas acredita-se que era catalão.
A Igreja do Mosteiro da Batalha é um exemplo do Gótico Português, apresentando duas grandes diferenças: o seu tamanho e as abóbadas.
Nas laterais encontram-se várias capelas e, ao centro, a capela-mor.
Quando caminharem junto à nave lateral sul, olhem para as gárgulas que servem para transportar água da chuva para o sistema de drenagem.


Capela do Fundador
À direita da Igreja encontram a Capela do Fundador. Esta foi mandada construir por D. João I no século XV, após a conclusão da Igreja, não estando no projeto original do mosteiro. O objetivo era a construção de um mausoléu de família para a dinastia de Avis.
Quando se entra no espaço, destaca-se a sepultura ao centro, mais trabalhada que as restantes. No seu topo encontram-se duas estátuas deitadas de mãos dadas, representando o rei D. João I e a sua esposa, D. Filipa de Lencastre. Sendo bastante alta, torna-se difícil ver em detalhe a representação do casal. No entanto, sobressai o facto de D. João I estar representado com a sua armadura militar.
Nas paredes em frente e à direita encontram as sepulturas de diversos elementos da família real, incluindo os reis D. Afonso V e D. João II. À volta da sala, várias placas informativas vão apresentado as figuras históricas aqui sepultadas.
Nesta sala, não deixem de olhar para cima para a impressionante abóbada central em forma de estrela. A cobertura original terá ruído no terramoto de 1755.
Claustros do Mosteiro da Batalha
The Claustro Real é também chamado de Claustro D. João I. Composto por arcos quebrados, destaca-se pelos detalhes das janelas, que foram já feitos no reinado de D. Manuel I, naquela que se tornou a arte manuelina.
Num dos cantos do claustro, e perto do refeitório, surge o lavabo. Este era utilizado antes das refeições para os frades lavarem as mãos. A água que aqui hoje corre é ainda abastecida pela fonte primitiva.



Existe ainda um segundo claustro, o Claustro D. Afonso V, num estilo mais sóbrio. Devido ao estilo, as colunas são mais simples que no espaço anterior.
Este claustro é composto por dois pisos. O superior é composto por um alpendre e é onde se encontram diversas divisões do mosteiro, como as celas dos frades.
Sala do Capítulo
A Sala do Capítulo é uma sala aparentemente mais simples. Numa das paredes destaca-se o Túmulo do Soldado Desconhecido, um memorial em homenagem aos soldados que defenderam a pátria na 1ª Grande Guerra.
Na parede, uma cruz parcialmente destruída, denominada de Cristo das Trincheiras, e que remonta à mesma época. Podem ler a história de como esta cruz acabou no Mosteiro da Batalha here.
A guardar o Túmulo do Soldado Desconhecido estão dois soldados do exército português. Se tiverem sorte (ou paciência) podem até ver a troca da guarda, que acontece de hora em hora.
Na parede destaca-se um grande vitral que representa a paixão de Cristo. Também o teto da sala merece destaque: aqui encontra-se uma das maiores abóbadas sem apoio central do Gótico Europeu.
Esta sala chegou a ser usada como capela funerária do rei D. Afonso V, da sua esposa e, mais tarde, do seu neto, que foram depois transladados para a Capela do Fundador.
À entrada, uma placa solicita que o visitante se remeta ao silêncio dentro desta sala.
Capelas Imperfeitas
Na lateral da igreja encontramos o acesso às Capelas Imperfeitas, um dos pontos mais conhecidos do Mosteiro da Batalha.
A sua construção foi encomendadas pelo rei D. Duarte, filho de D. João I. O objetivo era a construção de uma capela octogonal que servisse de panteão. Devido ao objetivo inicial da sua construção, esta parte do Mosteiro é por vezes chamada de Panteão de D. Duarte.
No entanto, o rei viria a falecer de peste pouco tempo depois, deixando as capelas inacabadas. O trabalho foi continuado pela sua mulher e, posteriormente, pelos reis seguintes. Os fundos para o Mosteiro da Batalha acabaram por ser destinados a outras obras e, no século XVI, as obras foram completamente paradas, deixando a capela sem cobertura.
Debaixo de um dos arcos desta capela, encontra-se uma sepultura onde repousam D. Duarte e D. Leonor de Aragão.



Terminada a visita ao belo e imponente Mosteiro da Batalha, não deixem de visitar o Mosteiro de Alcobaça (a 30 minutos de carro), também ele Maravilha de Portugal, e o Convento de Cristo (a 35 minutos de carro).



