A Casa-Museu Fernando de Castro, no Porto, é um impressionante museu criado com base numa coleção privada da família de Fernando de Castro, que lhe dá nome. Apesar do seu exterior simples, esta Casa-Museu é a verdadeira definição do conceito do horror ao vazio.
O museu funciona apenas em horários específicos e a visita é guiada, sendo obrigatório a marcação prévia. A reserva é feita através de um google forms, sendo que os dias e horários da visita estão já pré-definidos.
Tenham em atenção que a visita a esta casa é muito procurada e reservada com meses de antecedência. Consequentemente, devem planear a vossa visita atempadamente.
The bilhete para a Casa-Museu Fernando de Castro tem o custo de 5€ (em 2026). No entanto, é gratuito para os portugueses ao abrigo do Voucher 52. Se quiserem usufruir do mesmo, basta indicarem o vosso NIF quando o museu vos enviar um email a confirmar a inscrição.
História do Museu

A Casa-Museu Fernando de Castro resultou do desejo do seu proprietário, Fernando de Castro, de fundar um museu. No entanto, não conseguiu realizar este desejo em vida e é graças à sua irmã e única herdeira da família, Maria da Luz de Araújo Castro, que temos hoje acesso a este incrível espaço.
Fernando de Castro e Maria da Luz eram filhos de Fernando António de Castro. Este tinha um negócio de vidros, espelhos e painéis pintados na icónica Rua das Flores do Porto. Foi ele que construiu esta casa, cuja construção foi aprovada em 1893. Mais tarde, em 1908, ampliou-a com a construção de uma cozinha e um terceiro andar. A maioria dos móveis da casa são da época da sua construção e ampliação. Foi após a morte de Fernando de Castro (pai) que a casa foi herdada pelo seu filho.
Fernando de Castro (filho) era um empresário portuense, sendo também poeta, caricaturista e, obviamente, colecionador. Apesar de ter herdado do seu pai uma sociedade numa empresa comercial, optou sempre por se dedicar mais às artes, tendo mesmo chegado a publicar algumas obras.
Era, obviamente, um grande amante de arte, como podemos ver neste espaço com uma impressionante coleção. Aqui destaca-se a arte religiosa, com artistas como José Malhoa, Silva Porto, Rafael Bordalo e Teixeira Lopes.
Faleceu em 1952, pelo que a sua irmã (e única herdeira) doou a sua coleção ao Estado para que fosse criada a Casa-Museu Fernando de Castro. Da casa, Maria da Luz levou apenas a mobília do seu quarto e alguns artigos com valor sentimental, deixando praticamente todos os bens originais.
Desde a abertura do museu na década de 50 que o mesmo está integrado no Museu Nacional Soares dos Reis.
Visitar a Casa-Museu Fernando de Castro
Chegando ao museu, deixamos mochilas e casacos no bengaleiro e aguardamos pelo resto do grupo numa sala. Aqui percebemos logo o que nos espera: a divisão tem as paredes, teto e chão completamente cobertas com as mais variadas peças de arte.
A visita guiada inicia-se com uma breve introdução sobre a família e a coleção. Passamos depois pela morte do colecionador que dá nome ao museu e depois à doação da casa e do seu recheio por parte da irmã de Fernando de Castro.
É aqui que nos é apresentada a Sala Minhota, onde nos encontramos. Esta era a sala destinada a receber visitas e, como o nome indica, tem várias referências ao Minho, nomeadamente pelos corações de Viana. Um pouco como acontece pela restante casa-museu, encontra-se muita arte sacra.


Desta sala seguimos pelo corredor do andar de baixo, também ele repleto de detalhes e talha dourada. Pelo caminho, vamos recebendo uma explicação detalhada das principais peças de cada divisão e alguns detalhes adicionais da história da família.
No andar de baixo destaca-se ainda a Sala de Jantar, uma divisão escura e completamente repleta de dourados. Aqui existe uma espécie de portão em madeira, que permite fechar esta divisão, e que se assemelha aos portões das Igrejas.
Voltando ao corredor principal, tivemos o primeiro vislumbre das escadas. Neste momento a nossa incrível guia utilizou a expressão “horror ao vazio” para descrever esta casa. E é exatamente a sensação que esta imponente escadaria nos dá. Os detalhes estão em todas as suas partes, com várias estátuas a observar quem as sobe.
Subindo as escadas, encontramos um espaço aberto sobre as escadas, imensamente decorado.


a Casa-Museu Fernando de Castro é composta por impressionantes divisões, repletas de arte e talha dourada
Daqui visitamos um dos nossos sítios favoritos da casa: a Sala de Baile ou Sala Amarela. Esta é uma das divisões mais conhecidas desta casa e, quando se entra, percebe-se bem porquê.
A sala, com destaque para a sua cor amarela reforçada pela talha dourada e os vários espelhos, parece saída, numa menor escala, de um palácio.
Aqui a talha dourada recebe muito mais destaque, existindo uma menor concentração de arte. Segundo a nossa guia, acreditam que terá existido aqui um piano, que é uma das únicas peças originais do mobiliário em falta.



A subida ao último piso consegue ser ainda mais impressionante, dando a sensação que chegámos a uma capela. Desde o incrível vitral, passando pelo púlpito e cada centímetro de parede ocupado com arte sacra.
Ainda no andar de cima, conhecemos aquele que foi o quarto de Fernando de Castro, este já com algumas paredes mais vazias, mas ainda com aquela sensação de ter demasiadas coisas.
Pelo caminho visitamos ainda uma pequena divisão, que terá sido o quarta da Maria da Luz. Ao ser esvaziado aquando da doação da casa, o mesmo foi aproveitado para expor as dezenas de caricaturas de Fernando de Castro, assim como uma estátua sua. As suas paredes brancas e vazias destoam bastante do restante ambiente da casa, mas origina um momento de diversão com as caricaturas dos nomes de várias terras deste país.


Finda a visita, percebemos a sorte de termos conhecido a belíssima Casa-Museu Fernando de Castro, que é um ponto menos conhecido da cidade do Porto, mas que merece ser visitada por todos.



